Quando nascemos, passamos a estabelecer vínculo com o mundo que nos cerca. Saímos de um mundo inteiramente nosso, para um mundo onde nos adaptamos as condições que são oferecidas. A partir daí somos estimulados de diversas maneiras. Quando bem acompanhado pelos pais (vimos a importância disto anteriormente), possibita o desenvolvimento global do indivíduo até sua completa formação. Durante essa tragetória ocorrem diversos acontecimentos que marcam a vida de nossas crianças.Muitos estudiosos buscaram em suas experiências estabelecer essas fases do desenvolvimento humano, dentre eles podemos citar a teoria fase-estágio de Erik Erikson, explicando que cada faixa etária pertence a um estágio de desenvolvimento marcado por um evento definidor. Por exemplo: O primeiro estágio do desenvolvimento seria a Confiança X Desconfiança, marcada por uma Afirmação Mútua que ocorre no Período Neonatal. Também podemos falar sobre a teoria da tarefa desenvolvimentista de Robert Havighurst, que afirma que as tarefas desenvolvimentistas bem-sucedidas levam ao êxito na realização de tarefas posteriores. Para este estudioso, diversas tarefas motoras devem ser realizadas para que o processo natural de desenvolvimento acontaça sem dificuldades. Por último iremos falar da teoria desenvolvimentista de Jean Piaget, sendo ela a mais clara das teorias da área do desenvolvimento infantil. (GALLAHUE E OZMUN, 2005).
Jean Piaget demonstrou em seus estudos sua grande capacidade de observação. Ele observou que ao aplicar o mesmo teste a um grande número de crianças, as respostas erradas eram com mais frenquencia observada que as respostas corretas. Também ressaltou que dentro da mesma faixa etária as crianças cometiam os mesmos erros. A partir dai que ele notou que o mais importante não era notar a quantidade de respostas certas dadas pelas crianças, mas sim a qualidade da solução apresentada por ela. (PALANGANA, 2001).
Ferracioli (1999) explica que, segundo Piaget, o conhecimento adquirido pelo indivíduo no decorrer dos anos não está no sujeito (organismo), ou no objeto (meio), mas sim das contínuas interações entre os dois. Para ele, "todo pensamento se origina na ação", ou seja, a partir das suas experiências na atividade motora. Gallahue e Ozmun (2005) complementam a idéia ao falar que as estruturas cognitivas superiores são formadas por processos de Acomodação (Ajuste das reações atuais do indivíduo para atender às exigências específicas de um objeto ou ação) e de Assimilação (Observação de novas informações e incorporação as estruturas cognitivas já existentes) apoiados na auto-descoberta das atividades motoras.
As fases de desenvolvimento foram divididas em quatro por Piaget devido as diversas implicações para o movimento percebidas pelas evidências no comportanto e detalhadas nos estudos de Bello (1995), Ferracioli (1999), Gallahue e Ozmun (2005) e Palangana (2001):
1) Fase Sensório-Motora (Do nascimento até 2 anos): É uma fase marcada pela intensa atividade motora, onde a criança aprende e desenvolve seu cognitivo por meio das suas interações físicas com o meio e passa a diferenciar-se dos objetos e das outras pessoas. Sua linguagem vai da ecolalia (repetição de sílabas como mamá, dadá, gugu) às palavras-chave (como água para representar a frase "Quero água" ou, "Beber água"). Sua conduta social é de isolamento e indiferenciação (O mundo é ele).
2) Fase Pré-Operatória (de 2 a 7 anos): É chamada desta forma pois a criança ainda não consegue manipular mentalmente, utilizando a atividade motora para isto. Surge a chamada função simbólica, que consiste na representação de objetos e acontecimentos possibilitando a distinção do significante daquilo que ele significa. Na linguagem ainda não mantêm uma conversa longa, mas ao final do período já consegue adaptar suas respostas de acordo com as palavras que lhe foram ditas. Caracteriza-se por um período de transição entre o egocentrismo para um comportamento socializado rudimentar.
3) Fase de Operações Concretas (de 7 a 11 anos): Nesta fase a criança conscientiza-se de soluções alternativas, utiliza as regras em seu raciocínio e diferencia a aparência da realidade. É chamada de concreto pois as ações mentais estão relacionadas a objetos concretos. Estabelece o conceito de reversibilidade, ou seja, substância, número, volume, peso pode ter sua alteração mentalmente revertida e voltar ao original, possibilitando a criança aumentar sua capacidade mental para ordernar e relacionar experiências organizadamente. Compreende regras, estabelece compromissos e participa socialmente de grupos. A linguagem é socializada, mas ainda não consegue expor diferentes pontos de vista para chega a uma conclusão comum.
4) Fase de Operações Formais (de 11 anos em diante): Termina a infância e começa a juventude a partir da introdução do indivíduo ao mundo das idéias. É o auge do desenvolvimento da inteligência, pois pode imaginar uma propabilidade não necessitando da realidade concreta. Sua organização social pode estabelecer relações de cooperação e reciprocidade. Na linguagem é possível a dialética (argumentação lógica) permitindo chegar a conclusão.
O interessante é que podemos estabelecer uma relação entre a teoria desenvolvimentista de Jean Piaget com as fases do desenvolvimento motor proposto por Gallahue e Ozmun (2005). A fase Sensório-Motora está etariamente junto com a fase Motora Reflexa e Rudimentar, onde a criança codifica e decodifica informações, inibe os reflexos e inicia o pré-controle motor. A fase Pré-Operatória relaciona-se com a fase Motora Fundamental, desempenhando uma variedade de movimentos estabilizadores, locomotores e manipulativos até o estágio maduro. E, finalmente, chegamos a fase Operatória que está juntamente com a fase Motora Especializada, onde o indivíduo ajusta os movimentos a atividades motoras complexas até o estágio de utilização permanente.
Como diz Bello (1995), definir as fases do desenvolvimento é importante pois em cada um, a criança adquire novas possibilidades de conhecimentos e estratégias de sobrevivência, compreensão e interpretação da realidade, sendo fundamental a compreensão deste processo para os professores e também os pais saibam com que estão trabalhando e ajustem os estímulos que serão dados as capacidades do indivíduo.
Referências Bibliográficas
BELLO, José Luiz de Paiva. A teoria básica de Jean Piaget. Pedagogia em foco. Vitória, 1995.
FERRACIOLI, Laércio. Aprendizagem, desenvolvimento e conhecimento na obra de Jean Piaget: uma análise do processo ensino-aprendizagem em Ciências. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Brasília, v. 80, n. 194, p. 5-18, jan./abr. 1999.
GALLAHUE, David L.; OZMUN, John C.; ARAÚJO, Maria Aparecida da Silva Pereira (Trad.). Compreendendo o desenvolvimento motor: Bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, 3 ed., 2005. 585 p.
PALANGANA, Isilda Campaner. Desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vygotsky: A relevância do social. São Paulo: Summus, 5 ed., 171 p.




