terça-feira, 7 de junho de 2011

A teoria desenvolvimentista

Quando nascemos, passamos a estabelecer vínculo com o mundo que nos cerca. Saímos de um mundo inteiramente nosso, para um mundo onde nos adaptamos as condições que são oferecidas. A partir daí somos estimulados de diversas maneiras. Quando bem acompanhado pelos pais (vimos a importância disto anteriormente), possibita o desenvolvimento global do indivíduo até sua completa formação. Durante essa tragetória ocorrem diversos acontecimentos que marcam a vida de nossas crianças.

Muitos estudiosos buscaram em suas experiências estabelecer essas fases do desenvolvimento humano, dentre eles podemos citar a teoria fase-estágio de Erik Erikson, explicando que cada faixa etária pertence a um estágio de desenvolvimento marcado por um evento definidor. Por exemplo: O primeiro estágio do desenvolvimento seria a Confiança X Desconfiança, marcada por uma Afirmação Mútua que ocorre no Período Neonatal. Também podemos falar sobre a teoria da tarefa desenvolvimentista de Robert Havighurst, que afirma que as tarefas desenvolvimentistas bem-sucedidas levam ao êxito na realização de tarefas posteriores. Para este estudioso, diversas tarefas motoras devem ser realizadas para que o processo natural de desenvolvimento acontaça sem dificuldades. Por último iremos falar da teoria desenvolvimentista de Jean Piaget, sendo ela a mais clara das teorias da área do desenvolvimento infantil. (GALLAHUE E OZMUN, 2005).

Jean Piaget demonstrou em seus estudos sua grande capacidade de observação. Ele observou que ao aplicar o mesmo teste a um grande número de crianças, as respostas erradas eram com mais frenquencia observada que as respostas corretas. Também ressaltou que dentro da mesma faixa etária as crianças cometiam os mesmos erros. A partir dai que ele notou que o mais importante não era notar a quantidade de respostas certas dadas pelas crianças, mas sim a qualidade da solução apresentada por ela. (PALANGANA, 2001).

Ferracioli (1999) explica que, segundo Piaget, o conhecimento adquirido pelo indivíduo no decorrer dos anos não está no sujeito (organismo), ou no objeto (meio), mas sim das contínuas interações entre os dois. Para ele, "todo pensamento se origina na ação", ou seja, a partir das suas experiências na atividade motora. Gallahue e Ozmun (2005) complementam a idéia ao falar que as estruturas cognitivas superiores são formadas por processos de Acomodação (Ajuste das reações atuais do indivíduo para atender às exigências específicas de um objeto ou ação) e de Assimilação (Observação de novas informações e incorporação as estruturas cognitivas já existentes) apoiados na auto-descoberta das atividades motoras.

As fases de desenvolvimento foram divididas em quatro por Piaget devido as diversas implicações para o movimento percebidas pelas evidências no comportanto e detalhadas nos estudos de Bello (1995), Ferracioli (1999), Gallahue e Ozmun (2005) e Palangana (2001):

1) Fase Sensório-Motora (Do nascimento até 2 anos): É uma fase marcada pela intensa atividade motora, onde a criança aprende e desenvolve seu cognitivo por meio das suas interações físicas com o meio e passa a diferenciar-se dos objetos e das outras pessoas. Sua linguagem vai da ecolalia (repetição de sílabas como mamá, dadá, gugu) às palavras-chave (como água para representar a frase "Quero água" ou, "Beber água"). Sua conduta social é de isolamento e indiferenciação (O mundo é ele).

2) Fase Pré-Operatória (de 2 a 7 anos): É chamada desta forma pois a criança ainda não consegue manipular mentalmente, utilizando a atividade motora para isto. Surge a chamada função simbólica, que consiste na representação de objetos e acontecimentos possibilitando a distinção do significante daquilo que ele significa. Na linguagem ainda não mantêm uma conversa longa, mas ao final do período já consegue adaptar suas respostas de acordo com as palavras que lhe foram ditas. Caracteriza-se por um período de transição entre o egocentrismo para um comportamento socializado rudimentar.

3) Fase de Operações Concretas (de 7 a 11 anos): Nesta fase a criança conscientiza-se de soluções alternativas, utiliza as regras em seu raciocínio e diferencia a aparência da realidade. É chamada de concreto pois as ações mentais estão relacionadas a objetos concretos. Estabelece o conceito de reversibilidade, ou seja, substância, número, volume, peso pode ter sua alteração mentalmente revertida e voltar ao original, possibilitando a criança aumentar sua capacidade mental para ordernar e relacionar experiências organizadamente. Compreende regras, estabelece compromissos e participa socialmente de grupos. A linguagem é socializada, mas ainda não consegue expor diferentes pontos de vista para chega a uma conclusão comum.

4) Fase de Operações Formais (de 11 anos em diante): Termina a infância e começa a juventude a partir da introdução do indivíduo ao mundo das idéias. É o auge do desenvolvimento da inteligência, pois pode imaginar uma propabilidade não necessitando da realidade concreta. Sua organização social pode estabelecer relações de cooperação e reciprocidade. Na linguagem é possível a dialética (argumentação lógica) permitindo chegar a conclusão.

O interessante é que podemos estabelecer uma relação entre a teoria desenvolvimentista de Jean Piaget com as fases do desenvolvimento motor proposto por Gallahue e Ozmun (2005). A fase Sensório-Motora está etariamente junto com a fase Motora Reflexa e Rudimentar, onde a criança codifica e decodifica informações, inibe os reflexos e inicia o pré-controle motor. A fase Pré-Operatória relaciona-se com a fase Motora Fundamental, desempenhando uma variedade de movimentos estabilizadores, locomotores e manipulativos até o estágio maduro. E, finalmente, chegamos a fase Operatória que está juntamente com a fase Motora Especializada, onde o indivíduo ajusta os movimentos a atividades motoras complexas até o estágio de utilização permanente.

Como diz Bello (1995), definir as fases do desenvolvimento é importante pois em cada um, a criança adquire novas possibilidades de conhecimentos e estratégias de sobrevivência, compreensão e interpretação da realidade, sendo fundamental a compreensão deste processo para os professores e também os pais saibam com que estão trabalhando e ajustem os estímulos que serão dados as capacidades do indivíduo.

Referências Bibliográficas

BELLO, José Luiz de Paiva. A teoria básica de Jean Piaget. Pedagogia em foco. Vitória, 1995.

FERRACIOLI, Laércio. Aprendizagem, desenvolvimento e conhecimento na obra de Jean Piaget: uma análise do processo ensino-aprendizagem em Ciências. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. Brasília, v. 80, n. 194, p. 5-18, jan./abr. 1999.

GALLAHUE, David L.; OZMUN, John C.; ARAÚJO, Maria Aparecida da Silva Pereira (Trad.). Compreendendo o desenvolvimento motor: Bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, 3 ed., 2005. 585 p.

PALANGANA, Isilda Campaner. Desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vygotsky: A relevância do social. São Paulo: Summus, 5 ed., 171 p.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Padrões de Desenvolvimento Motor

Quando estamos observando uma criança brincar, na maioria das vezes simplesmente estamos vigiando aquela criança para que ela não se machuque ou não fale com estranhos. Mas nós, como adultos que já passamos por diversas situações motoras, podemos fazer muito mais do que isto. Porque não orientar nossas crianças quanto a forma mais adequada de realizar uma ação motora? Ou, porque não propor a ela brincadeiras ou atividades que estimulem o seu desenvolvimento motor?

Atividades diárias que consideramos simples de realizar, como descer na cama, ajustar o chuveiro na temperatura adequada, lavar o corpo e o cabelo, escovar os dentes, vestir a roupa e pentear o cabelo, são atividades complexas para as crianças na primeira infância e, com o tempo, vão se tornando cada vez mais naturais. A facilidade que encontramos de realizar essas atividades se deve ao progresso nas fases de movimentos. Este é um processo extenso que inicia nos primeiros movimentos reflexos do recém nascido e prolonga-se por toda a vida. (GALLAHUE e OZMUN, 2005).

Portanto, o desenvolvimento motor é um processo que se altera durante toda a vida, permitindo a realização segura e estável das ações motoras diárias posturais, locomotivas e manipulativas. Progride da fase inicial de movimentos reflexos para uma fase complexa de habilidades especializadas, sendo influenciada (como já vimos anteriormente) por fatores internos à atividade, ao indivíduo e ao ambiente. (CONNOLLY, 2000; GALLAHUE e OZMUN, 2005; SANTOS et. al., 2004).

Mas como saber se o que está sendo realizado por nossas crianças está dentro dos padrões de Desenvolvimento Motor? Como saber quando deve ser realizada o estágio maduro do movimento?

Gallahue e Ozmun (2005) e Santos et. al. (2004) explicam que a realização do estágio maduro é influenciada principalmente pelas oportunidades que proporcionamos as nossas crianças, pelo encorajamento e pelo ensino em ambiente adequado. Quando bem relacionadas, favorecem novas ações motoras realizadas pelas crianças. Segundo os autores, no início da escolarização a criança domina várias habilidades que devem atingir o estágio maduro aos 5 ou 6 anos de idade.

Proposto por Gallahue e Ozmun (2005), segue abaixo padrões das três habilidades (Estabilizadoras, Locomotoras e Manipulativas) para verificarmos se o desenvolvimento motor encontra-se dentro do considerado adequado para a idade, considerando as influencias citadas acimas como essenciais.

Habilidades Estabilizadoras

Equilíbrio Estático (manter o equilíbrio enquanto o centro de gravidade permanece estacionário)
- Colocar-se em pé: 10 meses
- Ficar em pé sem apoio das mãos: 11 meses
- Ficar em pé sozinho: 12 meses
- Equilibrar-se em um só pé durante 3-5 segundos: 5 anos
- Suportar o peso corporal em posição invertida com 3 apoios: 6 anos

Equilíbrio Dinâmico (manter o equilíbrio conforme o centro de gravidade se desloca)
- Ficar em pé sobre a trave de equilíbrio baixa: 2 anos
- Caminhar 2,5 cm em linha reta: 3 anos
- Caminhar sobre trave de 10cm de largura a curta distância: 3 anos
- Caminhar na mesma trave alternando os pés: 3-4 anos
- Executar rolamento para a frente de forma rudimentar: 3-4 anos
- Caminhar 2,5 cm em linha circular: 4 anos
- Caminhar em trave de 5,1cm a 7,6cm: 4 anos
- Executar rolamento para a frente de forma refinada: 6-7 anos

Movimentos axiais (posturas estáticas que envolvem inclinação, alongamento, giros, rotações e similares)
- A habilidade para movimentos axiais desenvolve-se na infância e refina-se progressivamente até um ponto em que estes movimento são incluídos nos padrões de movimentos manipulativos emergentes de lançar, aparar, chutar, bater e outras atividades: 2 meses a 6 anos

Habilidades Locomotoras

Caminhada (colocar um pé à frente do outro enquanto mantém contato com a superfície de apoio)
- Galope ereto rudimentar sem auxílio: 13 meses
- Caminhada lateralmente: 16 meses
- Caminha para trás: 17 meses
- Sobe degraus com auxílio: 20 meses
- Sobe degraus sozinho com passos seguidos: 24 meses
- Desce degraus sozinho com passos seguidos: 25 meses

Corrida (breve período sem contato com a superfície de apoio)
- Caminhada rápida: 18 meses
- Primeira corrida verdadeira sem fase de apoio: 2-3 anos
- Corrida eficiente e refinada: 4-5 anos
- Aumento de velocidade de corrida (corrida madura): 5 anos

Salto (impulso em um ou dois pés com pouso em ambos os pés)
- Desce de objetos baixos: 18 meses
- Salta de objeto com impulso em um pé: 2 anos
- Salta do chão com os dois pés: 28 meses
- Salta em distância (1m): 5 anos
- Salta em altura (30cm): 5 anos
- Padrão de salto maduro: 6 anos

Saltito (impulso com um pé e pouso com o mesmo pé)
- Saltita até três vezes no pé de preferência: 3 anos
- Saltita de quatro a seis vezes no mesmo pé: 4 anos
- Saltita de oito a dez vezes no mesmo pé: 5 anos
- Saltita distâncias de 15m em cerca de 11 segundos: 5 anos
- Saltita habilmente com alternância rítmica (padrão maduro): 6 anos

Galope (combina uma caminha com um salto com o mesmo pé direcionando todo o movimento)
- Galope básico, porém ineficiente: 4 anos
- Galopa habilmente (padrão maduro): 6 anos

Salto misto (combina uma passada e um saltito com alternância ritmica)
- Salto misto com uma perna: 4 anos
- Salto misto completo (cerca de 20%): 5 anos
- Salto misco completo (para a maioria): 6 anos

Habilidades Manipulativas

Alcançar, segurar e soltar (fazer contato bem sucedido com um objeto, retendo-o agarrado e soltando-o espontaneamente)
- Comportamento de alcance primitivo: 2-4 meses
- Captura de objetos: 2-4 meses
- Pegar espalmando: 3-5 meses
- Pegar pinçando: 8-10 meses
- Pegada controlada: 12-14 meses
- Soltura controlada: 14-18 meses

Lançar (imprimir força ao objeto na direção desejada)

- Corpo se vira para o alvo, pés se mantêm estacionários, bola é lançada somente com extensão do braço: 2-3 anos
- O mesmo que acima, com adição da rotação do corpo: 3-5 anos
- Dá um pesso à frente com a perna do mesmo lado do braço de lançamento: 4-5 anos
- Garotos exibem padrão mais maduro do que garotas: 5 anos e acima
- Padrão maduro de lançamento: 6 anos

Pegar (receber força de um objeto com as mãos, mudando progressivamente de bolas grandes para menores)
- Persegue a bola; não responde a bolas aéreas: 2 anos
- Responde a bolas aéreas com movimentos de braços atrasados: 2-3 anos
- Precisa ser orientado como posicionar os braços: 2-3 anos
- Utiliza o corpo para apanhar os objetos: 3 anos
- Reação de medo (girar a cabeça): 3-4 anos
- Apanha objetos utilizando somente a mão: 5 anos
- Padrão maduro do movimento de pegar: 6 anos

Chutar (imprimir força ao objeto com o pé)
- Empurra a bola; não chuta de fato: 18 meses
- Chuta com uma perna estendida e discretos movimentos corporais (chuta na bola): 2-3 anos
- Flexiona a perna na sua porção inferior: 3-4 anos
- Grande balanço para a frente e pra trás com oposição definida dos braços: 4-5 anos
- Padrão maduro (chuta acertadamente a bola): 5-6 anos

Bater (súbito contato com objetos com os braços acima da cabeça, colocados lateralmente, ou abaixo do nível da mão)
- Visualiza o objeto e faz um balanço no plano vertical: 2-3 anos
- Faz o balanço em um plano horizontal e se coloca ao lado do objeto: 4-5 anos
- Gira o tronco e quadril e leva o peso do corpo para a frente: 5 anos
- Padrão horizontal maduro utilizando bola estacionária: 6-7 anos

Estes são bons critérios quando quizermos realizar uma avaliação de nossas crianças dentro das aulas de Educação Física escolar na Educação Infantil. Além daqueles alunos que podemos notar a diferença visualmente, podemos verificar outros que tenham atrasos motores, auxiliar proporcionando maiores estímulos e orientar a família.

Este livro do David Gallahue e do John Ozmun de 2005 chamado "Compreendendo o desenvolvimento motor: Bebês, Crianças, Adolescentes e Adultos" é uma ótima referência quando precisamos embasar algo relacionado ao Desenvolvimento Motor. Vale a pena!!!

Referências Bibliográficas

CONNOLLY, Kevin. Desenvolvimento motor: Passado, Presente e Futuro. Revista Paulista de Educação Física. São Paulo, sup. 3, p. 6-15, 2000.

GALLAHUE, David L.; OZMUN, John C.; ARAÚJO, Maria Aparecida da Silva Pereira (Trad.). Compreendendo o desenvolvimento motor: Bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, 3 ed., 2005. 585 p.

SANTOS, Suely; DANTAS, Luiz; OLIVEIRA, Jorge Alberto de. Desenvolvimento motor de crianças, de idosos e de pessoas com transtornos de coordenação. Revista Paulista de Educação Física. São Paulo, v. 18, p. 33-44, ago. 2004.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Estabelecendo uma rotina

Às seis horas toca o despertador. Você levanta meio sonolento, toma seu banho, escova os dentes, toma café e sai atrasado para o trabalho. Lá você realiza todas as atividades marcadas em sua agenda e logo está na hora do almoço. Você tem duas horas para isto. Às duas horas da tarde retorna ao trabalho para uma reunião que dura a tarde toda. E quanto percebe já está na hora de ir para casa. Chegando lá, você toma banho, relaxa um pouco no sofá vendo televisão, prepara o jantar e vai dormir. Mas porque todos os dias você faz tudo nessa mesma ordem?

Todos nós temos a necessidade de seguir um cronograma pré-estabelecido para nos sentirmos mais seguros das atividades realizadas diariamente. Quando algo repentino acontece, nosso organismo que está despreparado sofre situações de estresse e outros problemas de saúde. E isso acontece mesmo sendo adultos que já passamos por diversas situações.

E as nossas crianças precisam ainda mais de rotina. Principalmente durante a primeira infância onde estão adotando hábitos e a segurança de saber o que está acontecendo e o que vem depois tranquilizam-nas. O tempo para elas é algo incerto e a repetição e a ordem ajudam-nas a estruturar o tempo e a torná-lo menos angustiante. O relógio de uma criança deve ser ajustado mediante normas estabelecidas para o sono e a comida, além de outras variações, como a luz, o ruído e o silêncio. Segundo a Dr. Tânia Henriques, "Aos dois anos, esses ritmos biológicos já estão bem estabelecidos, mas as crianças continuam a necessitar de hábitos estáveis para que o seu relógio não se desacerte. Precisamente nesta idade são extremamente ritualistas: amam e necessitam de ordem e repetição, de cada coisa no seu momento e no seu lugar, já que isso lhes proporciona uma sensação de conforto e segurança."

A Dra. ainda explica que quando os horários se descontrolam, possibilitamos a ocorrência de sono alterado, uma má alimentação, mais choro, falta de diversão, reclamações, e o mais temido: As birras. Isso acontece quando estamos educando-as mal, ou seja, permitindo a elas que façam o que lhes é conveniente. Essa instabilidade pode afetar a autoconfiança e a autonomia da criança.

Considerando que a rotina possibilita organizar o desenvolvimento físico, psicológico e social da criança, sua implantação também é de grande importância dentro da escola. A jornada diária compreende a chegada, a alimentação, higiene, brincadeiras, entre outros, sempre coordenada pelos adultos. Atividades ordenadas melhoram o aproveitamento do tempo para o desempenho das experiências propostas às crianças, contribuindo para sua formação e desenvolvimento.

Dentro das aulas de Educação Física não pode ser diferente. A rotina que estabeleci para os meus alunos tem dado super certo: Ir para o local da aula em fila e sempre cantando, pois faz com que os alunos se concentrem mais e deixem algumas situações de lado, como empurrar o colega, ou disputar lugar na fila; Ao chegar no local, estabelecer uma parede ou uma grade onde todos os alunos sentem para prestar atenção; Introduzir o que será feito na aula (falar sobre a habilidade que será trabalhada, ou sobre o material que será utilizado, etc); Explicar as atividades com os alunos sentados; Os alunos realizam as atividades e quando irei explicar a próxima eles sentam novamente no local que foi estabelecido; Ao final eles falam do que gostaram e montamos novamente uma fila para irmos cantando até a sala.

Esta rotina que implantei nas minhas aulas faz com que eu otimize o curto tempo (50 minutos por semana) que tenho para trabalhar infinitas possibilidades dentro da Educação Infantil. Os alunos saem sempre satisfeitos e aguardam ansiosamente pela próxima aula.

E você, qual será sua postura?
Deixar com que seu filho/aluno faça o que quizer ou estabelecer uma rotina? ;)

Referências Bibliográficas

Dra. Tânia Henriques com Rotinas para Guia da Família.com

Dra. Blenda Oliveira com O papel da rotina na vida das Crianças para Conversa de Menina

PEREIRA, Carla Cristina Batista. A importância da rotina na Educação Infantil. Integração. P. 35, dez. 2007.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Queridos pais...

Diversos estudos nos mostram a importância da família no desenvolvimento de nossas crianças. Mas, nossa revolucionária sociedade e suas rápidas mudanças fizeram com que eles se preocupassem mais em conseguirem dinheiro para nos criarem do que tempo para nos formarem.

Antigamente, quando meus pais chagavam em casa, minha mãe que já tinha trabalhado o dia todo ia para cozinha fazer nosso jantar. Como nós somos três irmãs e não éramos vidradas em vídeo game, televisão, ou qualquer outro equipamento eletrônico, meu pai que nos fazia companhia.

Enquanto esperávamos a hora de nos reunir ao redor da mesa (que considero importantíssimo), meu pai brincava com agente. Jogávamos adedonha, dama, pontinhos, palitinho e até xadrez. Nem lembro com quantos anos aprendi a jogar xadrez, mas lembro que desde cedo já jogava.

Era nosso momento ‘família’. Depois de um cansativo dia de trabalho, por mais incrível que pareça, eles ainda desempenhavam o papel de PAIS. Mas, culturalmente, esse não seria o papel deles? Ou será que o papel deve ser apenas proporcionar casa, comida e uma boa escola? Cadê o momento de se preocupar com os filhos? Com sua formação, comportamento e desenvolvimento?

Segundo Duncan et al. (2005) apud Seabra et al. (2008), a família é capaz de iniciar e manter hábitos saudáveis, sendo considerada um dos principais fatores de âmbito social capaz de influenciar o comportamento das crianças. Gallahue e Ozmun (2005) complementam ao afirmarem que na infância, ocorrem efeitos dos comportamentos dos pais, à medida que estes influenciam o funcionamento subseqüente das crianças.

Sabendo que o desenvolvimento e o aperfeiçoamento dos padrões motores de nossas crianças são influenciados de maneiras complexas, Gallahue e Ozmun (2005) ressaltaram como fatores influenciadores o vínculo, o estímulo e a privação entre pais e filhos.

O VÍNCULO é um fator que começa a se desenvolver no nascimento do indivíduo e que perdura ao longo do tempo, distância, privações e vontades. Esse vínculo cria um relacionamento mutualmente compensador e satisfatório, influenciando tanto o nível quanto a extensão do desenvolvimento da criança.

O ESTÍMULO e A PRIVAÇÃO diz respeito a experiência dada as crianças, possibilitando-as adequar-se ao estágio maduro das habilidades motoras. Estudos demonstraram que as crianças estimuladas exibiram uma maior autoconfiança e segurança nas atividades. Aquelas com ausência de oportunidade ou experiência motora obtiveram atrasos no desenvolvimento normal, podendo romper tanto a sequência como o nível da aquisição das habilidades motoras. Portanto, como nos diz Gallahue e Ozmun (2005) “Uma das maiores necessidades das crianças é praticar as habilidades em certa época, quando atingiram um determinado nível de desenvolvimento que as torna aptas a beneficiar-se do máximo dessas habilidades”.

Entendam que o objetivo não é fazer de nossos pais especialistas, mas sim, despertá-los sobre a necessidade de estarem sempre acompanhando o crescimento adequado de seus filhos, para que não ocorra, como citamos, atrasos em seu desenvolvimento. Apesar de vocês estarem cansados quando chegam em casa, nós queremos que vocês sejam PAIS! Aparelhos eletrônicos trazem facilidades, mas ainda não conseguem fazer o papel de vocês...

Por esses e outros motivos queridos pais, participem ativamente da vida de seus filhos. São vocês os primeiros educadores. Por querer vocês que eles choram interminavelmente quando entram na escola até a hora de vocês retornarem. Brinquem, briguem, sejam cumplices, orientem. Mas, por favor, não os privem do vínculo, do estímulo e da privação, pois são essas atitudes que os fazem desenvolver integralmente.

Referências Bibliográficas

GALLAHUE, David L.; OZMUN, John C.; ARAÚJO, Maria Aparecida da Silva Pereira (Trad.). Compreendendo o desenvolvimento motor: Bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, 3 ed., 2005. 585 p.

SEABRA, Andre F., et al. Determinantes biológicos e sócio-culturais associados à prática de atividade física de adolescentes. Cadernos de Saúde Pública. Rio de Janeiro, v. 24, n. 4, abr. 2008.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Motivação

Está certo que é nosso dever como professor proporcionar aos alunos aulas que os desenvolvam globalmente, com atividades que envolvam as seis vertentes da Educação Física propostas pelo PCN, em uma sequencia pedagógica que respeite sua idade e suas individualidades. Mas porque, muitas vezes, nós ficamos bastante tempo planejamento uma aula que atenda a todos esses pré-requisitos, e mesmo assim tem aquele aluno que fala: “Professora, hoje eu não quero fazer aula...”.

A primeira coisa que me passa na cabeça são as aulas de português, matemática e outras disciplinas. Porque nelas, o aluno escuta, faz o exercício que o professor pede, e logo na minha aula, com uma estrutura física diferente da tradicional, onde deveria ser um prazer para ele estar lá, ele diz que não quer fazer? Essa é uma pergunta que ainda me desafio a responder.

Segundo Machado e Gouvêa (1998), Samulski (1992) e Weinberg e Gould (2001), conhecer a motivação é saber desvendar o comportamento humano, pois é a intensidade dos motivos que irá direcionar a quantidade de esforço a determinado objetivo. Mas, sabendo que, durante as aulas os estímulos dados aos alunos são os mesmos, qual a razão do interesse diferenciado dos alunos?

Samulski (1992) explica que essa motivação depende de fatores extrínsecos (ambientais) e intrínsecos (pessoais). Para Marzinek (2007) e Weinberg e Gould (2001), a motivação extrínseca compreende fatores externos, que vêm de outras pessoas por meio de reforços (recompensas ou punições) positivos e negativos, como elogios, reconhecimento e dinheiro. Abrange, por exemplo, influência de colegas, dos pais e dos professores. Já a motivação intrínseca inclui fatores internos, ou seja, o esforço interior para ser dedicado e capaz de exercer o domínio sobre uma tarefa, abrangendo, por exemplo, prazer, satisfação e força de vontade.

Este desafio de desvendar o comportamento dos nossos alunos ainda permanecerá durante todas as nossas aulas. Minha proposta como professora é atingir a grande maioria com aulas divertidas, que supram as necessidades deles como estudantes, buscando sua completa alfabetização corporal. Aquele que, por algum motivo, ou com outras palavras, por falta de alguma motivação, eu ainda não consegui trazê-lo para a minha aula, buscarei entender seu histórico escolar e familiar, e posteriormente traçar alguma estratégia para sua identificação com minha disciplina.

Não existe caso perdido, é tudo uma questão de ponto de vista!

Referências Bibiográficas

MACHADO, Afonso Antônio; GOUVÊA, Fernando Cesar. Importância da motivação para o movimento humano. Integração Ensino Pesquisa Extensão. São Paulo, v. 1, n. 1, p. 85-91, 1998.

SAMULSKI, Dietmar. Psicologia do esporte. Belo Horizonte: Imprensa Universitária/UFMG, 1992.

WEINBERG, Robert; GOULD, Daniel. Fundamentos da Psicologia do Esporte e do Exercício. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2001.


terça-feira, 10 de maio de 2011

O Desenvolvimento divertido

Quando resolvi criar um blog, tracei uma meta que foi compartilhar minhas experiências na busca de um completo desenvolvimento infantil. Sou professora de Educação Física e minha experiência na escola abrange todas as faixas etárias da Educação Básica.

Durante minhas aulas percebi que quando entro nas minhas turmas de Educação Infantil a alegria está no auge. Os alunos gritam meu nome, me abraçam e no final da aula escuto deles que adoraram as brincadeiras, que eu sou muito legal e até dizem que me amam. Como é sincero o sentimento de uma criança. Saio da aula como um ar de satisfação pessoal e profissional. Esses momentos são motivadores e me fazem criar novas atividades, sempre proporcionando a eles o melhor que a minha criatividade e o meu conhecimento acadêmico e profissional podem fazer.

Quando entro nas turmas de Ensino Médio me debato com outra realidade. Alunos pouco motivados que vieram de professores, digo, farças que simplesmente "rolam o caroço" ou, simplesmente, fazem o "quarteto fantástico". Os alunos fingem que gostam das aulas e essas farças fingem que ministram aula. Cadê as danças, esportes, lutas, jogos e ginásticas que compõe um vasto patrimônio cultural que deve ser valorizado, conhecido e desfrutado? (Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais). Esta realidade nos faz conhecer alunos totalmente desmotivados, que mostram-se analfabetos corporais e dão qualquer tipo de desculpa para não fazer a aula que você planeja. Aulas diferentes daquelas dadas pelos professores farças são difíceis de serem ministradas, pois os alunos aprenderam que a aula de Educação Física é o momento do descanso ou aquela que somente se aprende as técnicas e táticas do volei, handebol, basquete e futsal. Esses alunos vão para a aula quase que 'forçados', praticam o que você propõe e até gostam. Mas não é isso que eles aprenderam que é Educação Física. Poucas vezes saímos dessas aulas satisfeitos, pois no final delas, é raro aquele que fala: Como foi boa a aula de hoje...

Isso me fez conhecer de perto a gritante diferença motivacional com o passar dos anos na Educação Básica.

Knijnik et. al. (2002), explica que o ato motor na primeira infância (0 a 6 anos) é de extrema importância para o desenvolvimento da criança, pois a partir dele, ela pode interagir com o mundo que a cerca por meio dos aspectos cognitivos e afeitos, que se manifestam como consequência de um só tipo de comportamento, o motor. Almeida e Shigunov (2000), enfatizam a brincadeira como um fator de grande importância no processo de desenvolvimento e de socialização da criança, pois proporciona novas descobertas, inserindo-a no contexto em que se encontra. O mesmo autor ainda a afirma que é importante incentivar a prática dessas atividades para que a criança usufrua delas nas diversas fases da vida. Knijnik (2001) complementa a idéia ao dizer que na idade escolar, o entusiasmo do estudante é evidente quando realiza as tarefas, reduzindo a ansiedade e aumentando o sentimento de prazer, sentido-se orgulhoso a cada etapa vencida e motivado a esforçar-se mais para alcançar um melhor desempenho.

Na busca pelo completo desenvolvimento do invíduo, e sabendo-se da importância de um comportamento motor satisfatório para um desenvolvimento cognitivo e afeito adequado, adotei a idéia de que se o aluno for motivado desde o início da sua vida escolar, com atividades motoras desafiadoras mas compatíveis a sua faixa etária, diversificadas, interessantes e divertidas, conseguiremos trazer os alunos para as aulas de Educação Física, fazendo com que ele tenha prazer em realizar as atividades propostas, pois ela trará benefícios para sua vida.

Por esse motivo tão simples, o Desenvolvimento de nossas crianças deve ser sempre Divertido...


Referências Bibliográficas

ALMEIDA, Ana Cristina Pimentel de; SHIGUNOV, Viktor. A atividade lúdica infantil e suas possibilidades. Revista da Educação Física. Maringá, v. 11, n. 1, p. 69-76, 2000.

KNIJNIK, Jorge Dorfman; PIRES, Rosângela Nobre; FRESSATO, Marina Soares. O jogo, a educação física e a escola: É possível falsear as implicações da teoria piagetiana? Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte. São Paulo, v. 1, n. 1, p. 95-105, 2002.