terça-feira, 17 de maio de 2011

Queridos pais...

Diversos estudos nos mostram a importância da família no desenvolvimento de nossas crianças. Mas, nossa revolucionária sociedade e suas rápidas mudanças fizeram com que eles se preocupassem mais em conseguirem dinheiro para nos criarem do que tempo para nos formarem.

Antigamente, quando meus pais chagavam em casa, minha mãe que já tinha trabalhado o dia todo ia para cozinha fazer nosso jantar. Como nós somos três irmãs e não éramos vidradas em vídeo game, televisão, ou qualquer outro equipamento eletrônico, meu pai que nos fazia companhia.

Enquanto esperávamos a hora de nos reunir ao redor da mesa (que considero importantíssimo), meu pai brincava com agente. Jogávamos adedonha, dama, pontinhos, palitinho e até xadrez. Nem lembro com quantos anos aprendi a jogar xadrez, mas lembro que desde cedo já jogava.

Era nosso momento ‘família’. Depois de um cansativo dia de trabalho, por mais incrível que pareça, eles ainda desempenhavam o papel de PAIS. Mas, culturalmente, esse não seria o papel deles? Ou será que o papel deve ser apenas proporcionar casa, comida e uma boa escola? Cadê o momento de se preocupar com os filhos? Com sua formação, comportamento e desenvolvimento?

Segundo Duncan et al. (2005) apud Seabra et al. (2008), a família é capaz de iniciar e manter hábitos saudáveis, sendo considerada um dos principais fatores de âmbito social capaz de influenciar o comportamento das crianças. Gallahue e Ozmun (2005) complementam ao afirmarem que na infância, ocorrem efeitos dos comportamentos dos pais, à medida que estes influenciam o funcionamento subseqüente das crianças.

Sabendo que o desenvolvimento e o aperfeiçoamento dos padrões motores de nossas crianças são influenciados de maneiras complexas, Gallahue e Ozmun (2005) ressaltaram como fatores influenciadores o vínculo, o estímulo e a privação entre pais e filhos.

O VÍNCULO é um fator que começa a se desenvolver no nascimento do indivíduo e que perdura ao longo do tempo, distância, privações e vontades. Esse vínculo cria um relacionamento mutualmente compensador e satisfatório, influenciando tanto o nível quanto a extensão do desenvolvimento da criança.

O ESTÍMULO e A PRIVAÇÃO diz respeito a experiência dada as crianças, possibilitando-as adequar-se ao estágio maduro das habilidades motoras. Estudos demonstraram que as crianças estimuladas exibiram uma maior autoconfiança e segurança nas atividades. Aquelas com ausência de oportunidade ou experiência motora obtiveram atrasos no desenvolvimento normal, podendo romper tanto a sequência como o nível da aquisição das habilidades motoras. Portanto, como nos diz Gallahue e Ozmun (2005) “Uma das maiores necessidades das crianças é praticar as habilidades em certa época, quando atingiram um determinado nível de desenvolvimento que as torna aptas a beneficiar-se do máximo dessas habilidades”.

Entendam que o objetivo não é fazer de nossos pais especialistas, mas sim, despertá-los sobre a necessidade de estarem sempre acompanhando o crescimento adequado de seus filhos, para que não ocorra, como citamos, atrasos em seu desenvolvimento. Apesar de vocês estarem cansados quando chegam em casa, nós queremos que vocês sejam PAIS! Aparelhos eletrônicos trazem facilidades, mas ainda não conseguem fazer o papel de vocês...

Por esses e outros motivos queridos pais, participem ativamente da vida de seus filhos. São vocês os primeiros educadores. Por querer vocês que eles choram interminavelmente quando entram na escola até a hora de vocês retornarem. Brinquem, briguem, sejam cumplices, orientem. Mas, por favor, não os privem do vínculo, do estímulo e da privação, pois são essas atitudes que os fazem desenvolver integralmente.

Referências Bibliográficas

GALLAHUE, David L.; OZMUN, John C.; ARAÚJO, Maria Aparecida da Silva Pereira (Trad.). Compreendendo o desenvolvimento motor: Bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, 3 ed., 2005. 585 p.

SEABRA, Andre F., et al. Determinantes biológicos e sócio-culturais associados à prática de atividade física de adolescentes. Cadernos de Saúde Pública. Rio de Janeiro, v. 24, n. 4, abr. 2008.

Um comentário:

  1. Belo artigo prima...
    Realmente faz a diferença....
    Sempre admirei o relacionamento familiar na sua casa, afinal era algo que eu sonhava em ter ...
    Graças ao bom DEUS é isso que tento passar para minhas filhas hoje....
    Felicidades...
    Grande abraço.
    Patrícia

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